Julho de 2026 por Ana Carrisso
A esperança média de vida é o número de anos que, em média, se espera que uma pessoa viva. Assim, um português nascido em 2025 poderá viver até quase aos 82 anos. E a segunda boa notícia é que a esperança de vida continua a aumentar: segundo o INE, as crianças portuguesas que nascem hoje apresentam uma esperança de vida 15 meses superior à de há dez anos.
Agora bem, quantas destas crianças poderão chegar a viver 100 anos? Não é uma ideia descabida. De facto, há cada vez mais pessoas a chegar ao seu centenário. Segundo dados do último censo, de 2021, viviam em Portugal 2.801 pessoas com 100 anos ou mais, um valor 83% superior ao do censo anterior, de 2011, e uns impressionantes 375% acima do número de centenários residentes em Portugal em 2001.
A tendência em Portugal encaixa na de outras nações desenvolvidas. Vários países europeus, como a Alemanha e a Espanha, encontram-se entre as nações mais envelhecidas do mundo, ranking liderado pelo Japão há anos. Segundo apontam numerosos estudos de vários organismos internacionais, incluindo o FMI e a OCDE, estamos no primeiro momento da história da humanidade em que o número de pessoas com mais de 65 anos cresce mais rapidamente do que o número de recém-nascidos. Calcula-se que, em 2050, até 2.100 milhões de pessoas, ou seja, quase 22% de toda a população mundial, terão mais de 60 anos, e 426 milhões de pessoas terão mais de 80 anos. Como referência, há 50 anos apenas 8,38% da população total tinha mais de 60 anos.
Mas não é só o facto de vivermos mais; vivemos também melhor. Cada vez mais pessoas reformadas querem manter um envelhecimento ativo. Este desejo já tem um reflexo material no dia a dia, com exemplos como a proliferação de ofertas de viagens para a terceira idade ou de ginásios que oferecem aulas adaptadas para pessoas mais velhas.
Isto leva-nos a fazer um cálculo rápido: se a idade oficial da reforma em Portugal se situa nos 67 anos, e a esperança média de vida se situa nos 82, isto significa que os pensionistas portugueses devem planear pelo menos 15 anos de reforma, contando com a possibilidade de este número se prolongar… salvo se quiserem imitar personalidades como Marcelo Rebelo de Sousa, que foi Presidente da República até aos 77 anos.
A longevidade e o envelhecimento ativo são dois temas que preocupam a Fidelity há anos. Do nosso ponto de vista, há quatro pilares que sustentam uma vida mais longa: estabilidade financeira, saúde física, bem-estar emocional e ligação social, sendo a estabilidade financeira a base sobre a qual assenta o resto.
Recentemente, a Fidelity associou-se ao National Innovation Centre for Ageing (NICA) do Reino Unido para realizar um inquérito mundial sobre envelhecimento ativo e planeamento da reforma, no qual participaram 11.800 pessoas com mais de 50 anos em 13 países. Algumas das conclusões são impactantes. Por exemplo, o estudo detetou que mais de um terço dos participantes não planeou a sua reforma. Quase metade cita o dinheiro como a sua principal preocupação em relação à reforma. Cerca de duas em cada cinco pessoas com mais de 50 anos têm um défice de preparação para a reforma de 10 anos ou mais em relação à esperança média de vida da sua região… ou seja, ficaram aquém na gestão das suas poupanças e chegaram a uma fase da vida em que aumenta a necessidade de cuidados e atenção médica com poucos recursos.
O estudo também detetou que aqueles que pouparam mais tendem a sentir-se mais preparados para a reforma. Apenas um dado: entre os que tinham algum plano de reforma, 83% declarou sentir-se física e emocionalmente preparado; esta taxa cai para 65% entre os que não tinham feito qualquer planeamento. Como afirma Keith Metters, presidente da Fidelity, estar preparado para a reforma é mais do que ter poupanças: “Consiste em ter a segurança de que o dinheiro vai durar, de que será possível manter um estilo de vida ativo e ligado aos outros, e de que a vida terá um propósito”.
O cantor David Bowie fala sobre a passagem do tempo em Changes, uma das suas canções mais famosas, na qual afirma: “As mudanças estão a marcar o ritmo a que vou”. Changes é um hino otimista, e é com essa nota que queremos encerrar esta tribuna: nunca é tarde para começar a planear o seu bem-estar físico e emocional para a etapa dourada da sua vida.