PIB per capita: conceito, cálculo e limitações

André Themudo | BlackRock

Líder dos segmentos de Wealth e Asset Managers na Península Ibérica
Desenvolve relações com gestores de ativos espanhóis, portugueses e de Andorra, bancos privados e de retalho, family offices e plataformas de distribuição. Isto inclui a distribuição de Mutual Funds, Estratégias de Indexação e Soluções de Investimento para clientes de wealth.

Fevereiro de 2026 por André Themudo

O Produto Interno Bruto (PIB) apresenta-se como um dos principais indicadores macroeconómicos utilizados para avaliar a dimensão e o nível de atividade económica de um país, sendo uma referência essencial para a formulação de políticas públicas, decisões empresariais e análises comparativas entre economias. De forma sintética, o PIB representa o valor monetário agregado de todos os bens e serviços finais produzidos no interior das fronteiras nacionais durante um determinado período, normalmente anual ou trimestral.

A sua apuração exclui bens intermédios, de modo a evitar duplicações e sobrestimações, e pode ser realizada através de três abordagens conceptualmente equivalentes: a ótica da produção, que considera a criação de valor nos diversos setores da economia; a ótica da despesa, que agrega o consumo, investimento, gastos públicos e exportações líquidas; e a ótica do rendimento, que soma os rendimentos gerados pela produção, incluindo salários, lucros e impostos líquidos de subsídios.

Apesar da sua relevância enquanto medida da dimensão económica, o PIB total não permite, por si só, aferir o nível médio de riqueza ou de produção associado à população residente. Economias com um PIB elevado podem igualmente apresentar uma população numerosa, o que dilui o valor médio por habitante. Para colmatar esta limitação, é utilizado o indicador de PIB per capita, que relaciona a produção total com a dimensão da população.

Como se calcula?

O PIB per capita resulta, portanto, da divisão do PIB global de um país pela sua população residente. Em termos operacionais, este indicador corresponde à divisão do PIB total pelo número total de habitantes, transformando um agregado macroeconómico num valor médio por residente. Esta transformação permite uma análise mais realista do padrão de vida médio da população e facilita comparações temporais entre períodos diferentes e análises internacionais entre economias de dimensões distintas. O PIB per capita é amplamente utilizado por economistas, analistas financeiros, gestores de políticas públicas e instituições internacionais para compreender a evolução económica e planear estratégias de desenvolvimento sustentável.

Este indicador é amplamente utilizado como uma aproximação ao nível médio de produção ou rendimento por habitante, sendo frequentemente interpretado como uma medida do grau de desenvolvimento económico. Em Portugal, os dados necessários para apurar o PIB per capita resultam das contas nacionais, compiladas pelo Instituto Nacional de Estatística, e são utilizados por diversas entidades oficiais, incluindo o Banco de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e organismos europeus como o Eurostat.

O PIB per capita pode ser apresentado a preços correntes, refletindo os valores nominais do período em análise, ou a preços constantes, ajustados pelo efeito da inflação, o que permite comparações reais ao longo do tempo. Em análises internacionais, é igualmente comum utilizar o PIB per capita ajustado pela Paridade do Poder de Compra (PPC), que tem como objetivo neutralizar as diferenças nos níveis de preços entre os países e assegurar uma maior comparabilidade em termos de poder de compra efetivo.

As limitações do PIB per capita

Apesar da sua utilidade analítica, o PIB per capita tem limitações relevantes. Trata-se de uma medida média que não reflete a distribuição do rendimento na economia; por conseguinte, é possível que coexistam níveis elevados de PIB per capita com acentuadas desigualdades económicas. Além disso, este indicador não abrange aspetos essenciais do bem-estar, como a qualidade dos serviços públicos, a saúde, a educação, o ambiente ou o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal. Por este motivo, é frequentemente complementado por outros indicadores, como medidas de desigualdade e índices compósitos de desenvolvimento humano.

Em suma, o PIB per capita constitui um instrumento central da análise económica, permitindo relacionar a produção total de um país com a sua população e facilitando comparações temporais e internacionais. Contudo, a sua interpretação deve ser feita com prudência, enquadrada num conjunto mais amplo de indicadores económicos e sociais, de modo a fornecer uma visão equilibrada do desenvolvimento e do bem-estar da sociedade. A sua aplicação informada contribui para decisões de política económica mais eficazes, estratégias empresariais mais sustentadas e uma compreensão mais profunda das dinâmicas económicas nacionais e globais.